Um imperador e um bolão

23 de março de 2012
Adriano com camisa do flamengo (Jogadores do atual elenco e parte da torcida desejam a volta do Imperador à Gávea.)
A cena inicia-se em um escritório. Você percebe um certo movimento e alvoroço. “- A Mega Sena acumulou e vai sortear uma bolada!”- alguém diz. Começam então os seus colegas a organizar o típico bolão da empresa. Cada um deverá desembolsar uma quantia razoável para aumentar as apostas e chances do jogo ser contemplado.
Você está acuado em gastar aquela grana toda em uma aposta de chances tão pequenas. Mas este que lhe chega com a folhinha já o aborda com a proposta: “E aí? Vamos ficar ricos?” Você então não consegue resistir, tira da carteira uma quantia que não estava sobrando, assina a folha e respira fundo: “Agora é contar com a sorte!”
A analogia pode não ser perfeita, mas um pensamento muito parecido passa pela cabeça dos dirigentes, comissão técnica e torcedores: apostar ou não em Adriano? O risco é altíssimo, sem dúvida, mas vai que dá certo.
O Imperador saiu em 2009 do Flamengo para se tornar um dos maiores fiascos da história do futebol italiano em uma passagem pífia pela Roma. Só conseguiu aparecer em sua trajetória pelo Corinthians em um jogo em que marcou gol contra o Atlético Mineiro. Foram oito jogos, dois gols e aproximadamente R$ 5 milhões em salários, fora a sua recisão contratual.
Apesar de, já há alguns anos, o próprio jogador vir falando sobre uma aposentadoria precoce e em outras palavras afirmar: “Não apostem em mim!”, ninguém duvida do que o imperador seja capaz. Em sua passagem pelo Flamengo em 2009, ele foi decisivo na arrancada do time e conquista do título nacional, mesmo abusando nas baladas, questões disciplinares e confusões extra campo. Adriano foi um bilhete premiado para os rubro negros.

(Confira os gols de Adriano pelo Flamengo em 2009)
Adriano é como aquela voz do organizador do bolão ao pé do ouvido da diretoria do Flamengo dizendo: “Semana que vem não sou mais funcionário. Estarei de férias por tempo indeterminado curtindo minha vida de milionário pelo mundo!”
Ainda que seja só por um milagre, você acredita até o momento que o globo gire e as bolinhas comecem a ser retiradas. Ali podem sair todas ou nenhuma das que você escolheu. A única diferença, no caso dos dirigentes, é que o cartola arriscará nessa aposta um dinheiro que não é dele.

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