
Há quem diga que o Atlético-MG, nos últimos anos, empenhou-se em emular o rival Cruzeiro. Na era Kalil – tanto como presidente como diretor de futebol – o Galo mineiro arrebanhou um quinhão de ex-cruzeirenses.
Depois de Alex Alves, Fábio Jr., Fernandinho, Patric, Leonardo Silva, Guilherme, Vanderlei Luxemburgo, Dorival Jr. entre outros, a aposta azul da vez é Alexis Stival – o Cuca.
Após fundir a Cuca, ou melhor o Cuca, o time celeste extirpou o mau agouro pra bem longe e, como um bumerangue, a má sorte voltou a capital mineira, dessa vez do outro lado da lagoa. Cuca volta a BH e, na bagagem, um mísero retrospecto de apenas dois títulos estaduais em 13 anos de carreira como treinador.
O treinador paranaense ficou conhecido a nível nacional em 2003. Naquele ano, Cuca conseguiu tirar o Goiás da última posição do Brasileirão após o fim do primeiro turno e terminou o campeonato com um fantástico nono lugar.
Cuca e Atlético-MG são muito parecidos. O bom trabalho fora de campo, a escassez de títulos, a perseverança e a instabilidade parecem escrever uma trajetória perfeita entre clube e treinador na última década.
A título de exemplo, o primeiro semestre de 2011 para ambos parecia promissor.
Cuca era o Guardiola Azul; o treinador que tinha em suas mãos o poderoso "Barcelona das Américas". O time mais temido do hemisfério sul sucumbiu após a eliminação precoce na Libertadores para o modesto Once Caldas. E, mesmo com a conquista do Mineiro, o mau início do Brasileirão fez cair Cuca mais uma vez (sem trocadilhos, por favor).
Por outro lado, o Galo mineiro construiu o mais moderno Centro de Treinamentos do Brasil. Contratou Dorival Jr. – um dos melhores treinadores da nova geração. Fez boas e caras contratações que chegaram a assustar os grandes do eixo Rio-São Paulo.
Mais uma vez, nada deu certo. Os títulos não vieram, a costumeira eliminação na Copa do Brasil bateu cartão e a briga contra o Z4 no brasileirão ronda, de novo, a Cidade do Galo.
Dorival acertou em alguns momentos, em outros errou feio. Mexeu demais nas escalações. Insistiu em Werley e Patric. Não deu consistência e estabilidade ao time (cabe aqui lembrar que as inúmeras contusões também não ajudaram).
A última cartada do narigudo foi apostar num arriscado esquema 3-5-2. Em três jogos o time tomou 7 gols e somou apenas 1 pontinho. Desesperado, aventurou-se em fazer três substituições de uma só vez no intervalo do jogo contra o Figueirense. Dudu Cearense, contundido depois de fazer o gol, obrigou o Galo a ficar com um a menos.
Agora é a vez do Mestre Cuca, aquele mesmo que esbraveja e bate forte na mesa; que peleia como vendedor de souvenirs no deserto. O magnetismo esportivo atraiu duas partes negativas para, quem sabe, a criação de um campo de forças positivas.
Para isso, Cuca e a torcida precisam ter paciência. Nada de sonhar com Libertadores ou títulos em 2011. O Atlético-MG precisar criar a identidade de um time onde o toque de bola seja intuitivo. É preciso colocar o pé no freio das contratações. Trabalhar o que tem, oportunizar a ascensão da categoria de base e insistir num projeto. Como diria o poeta espanhol Miguel de Cervantes: "a perseverança é a mãe da boa sorte".

1 comentários :
O Cuca ficou um pouco mais de um ano no Cruzeiro sem ser vaiado pela torcida.
Perdeu o titulo Brasileiro em 2010 por muito pouco, na superação ganhou o campeonato mineiro após reverter o placar, fez a melhor primeira fase da Libertadores da história e foi eliminado por um time fraco da Colômbia e teve um péssimo inicio de Brasileirão com a mesma equipe.
O que aconteceu ninguém sabe.
Mas a impressão que ficou pra mim é que mesmo com um trabalho bem feito, fazendo o time jogar um futebol bonito, falta "um algo mais".
O que é eu não sei.
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