Falta ética com os goleiros do Galo

5 de julho de 2011
Renan Ribeiro. goleiro do altético mineiro

A ética é o indicativo do que consideramos mais ou menos justo diante das possíveis escolhas que afetam os terceiros. Nesse caso, temos três grupos em questão: a) a instituição Clube Atlético Mineiro; b) os goleiros contratados pelo clube; C) a torcida e sua eterna cobrança por melhores resultados – alocados aqui como os "terceiros".

O tratamento da diretoria do Atlético-MG com relação aos seus goleiros dispensa os desígnios da ética. Para atender aos apelos da torcida, a diretoria do clube – o presidente, o diretor de futebol e até o treinador – realiza constantes e impensados rodízios na posição de goleiro.

Todos saem perdendo! O clube gasta muito dinheiro contratando novos jogadores. A torcida, por sua vez, fica ainda mais inflamada com as constantes falhas, derrotas, vexames e zoações alheias. Mas o principal prejudicado é, sem dúvida, o goleiro.

Como deve ser angustiante ser goleiro no Galo! Ter que jogar sempre com a responsabilidade de ser perfeito. Enfrentar a torcida e a pressão de uma possível nova contratação. No Galo é assim: goleiro falhou, troca. Não tem no banco, contrata. Falta respeito e confiança. E o goleiro – ajustado como "terceiro" – perde, no exercício da sua profissão, a noção de justiça.

Até o escritor uruguaio Eduardo Galeano descreveu com precisão a lástima do guarda-metas:

"Carrega nas costas o número um. Primeiro a receber, primeiro a pagar. O goleiro sempre tem culpa. E, se não tem, paga do mesmo jeito".

E um poeta desconhecido completou:

"Ser goleiro é ser herói e vilão. É querer evitar o inevitável sempre achando, lá no fundo, que dava pra defender o mais indefensável dos chutes. É jogar um jogo coletivo de forma quase individual (...)

Marcelo, ex-goleiro do atlético

Para se ter idéia, em 2010, com a corda no pescoço da série B, a diretoria promoveu quatro mudanças no gol atleticano (Aranha, Carini, Marcelo e Fábio Costa) até a consolidação do jovem Renan Ribeiro, relevado nas categorias de base do clube. Isso sem contar o período de trevas quando o gol era defendido por Edson, Juninho... Bom deixa pra lá. Resultado: instabilidade e fúria.

No início do ano, o Atlético-MG contratou dois goleiros: Giovani (ex-Grêmio Prudente) e Lee (ex-Vitória-BA). O elenco ficou inchado com quatro jogadores na posição e, mesmo com a ótima atuação na temporada passada, Renan Ribeiro ainda precisava de muitas sombras. Dorival Jr. confia na jovem promessa atleticana. Mas técnico no Atlético-MG parece não gozar de muita autonomia. Um clube onde o presidente tem o péssimo hábito de permanecer a beira do campo a esbravejar com o time, intimida qualquer treinador e o faz apequenar-se em sua função.

Por falar em presidente, o Sr. Kalill deveria seguir os bons exemplos. Rogério Ceni no São Paulo, Marcos no Palmeiras e Taffarel na seleção brasileira passaram por épocas de obscurantismo e, mesmo assim, deram a volta por cima. Até mesmo Fábio, goleiro do rival celeste, teve um início conturbado na Toca da Raposa quando passou pelo vexame de ser vaiado pela própria torcida e hoje, no entanto, é ovacionado como grande ídolo.

Por isso, é preciso mudar a concepção de grupo no Atlético-MG. Confiança gera respeito recíproco. E não é possível confiar em quem não confia. O futebol é sim feito de habilidade, talento, planejamento técnico e tático, mas também de uma boa dose de coragem e motivação.

1 comentários :

André Amaral disse...

Hoje o Renan Ribeiro deixou de ser titular no time por "falhar" no clássico.

Isso é prova que você tinha razão. Isso é falta de ética.

Basta procurar no you tube sobre falhas de grandes goleiros como Marcos, Ceni, Fábio, Julio Cesar.

São várias falhas bizonhas.

Tem que dar crédito ao goleiro.

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