O último fim de semana deverá ser enterrado, por argentinos e brasileiros, no ocultismo das estatísticas e numerologia do futebol. É apenas a segunda vez que os gigantes do futebol sulamericano não figuram entre os quatro melhores do continente (em 2001, na Colômbia, o Brasil foi eliminado tragicamente por Honduras nas quartas-de-final).
O fracasso de Argentina e Brasil na Copa América não se deve a queda do nível técnico de seus jogadores, mas, talvez, à evolução tática e ultradisciplinar das demais seleções do continente. Ajudado também pelo servilismo midiático que colocou garotos propensos a craque no pedestal da glória ainda imerecida.
A geração de Messi, Neymar, Tevez e PH Ganso enfrentou uma Copa América de equipes carrancudas no jogo defensivo. É a Copa América do futebol feio que dá resultado. Até aqui foram quatro jogos que terminaram sem gols. E isso se deve a grande maioria das seleções que joga com 2 linhas defensivas de quatro jogadores, marcação pontual no craque do time adversário e o jogo de contra-ataque com bom aproveitamento em bolas paradas.
A síntese do torneio é o Paraguai. A seleção guarani chega às semifinais da Copa América com quatro empates em quatro jogos. Ontem contra o Brasil, a equipe soube se defender como ninguém. Foram 120 minutos de pressão (58% de posse de bola brasileira) e poucas finalizações (22 a 5 para o Brasil). Defender também é mérito, ainda mais quando falta qualidade técnica do meio para frente.
Ademais, Copa América é tiro curto. O campeão joga apenas 7 vezes. Arrisco-me a dizer que se fosse um campeonato de pontos corridos com jogos de ida e volta (como nas Eliminatórias) certamente Brasil e Argentina encabeçariam a tabela. Mas em copas a preparação é diferente. Exige equilíbrio mental, precisão e minimalismo nas horas decisivas e muito, mas muito respeito com os adversários.
Além disso, a arrogância e a bajulação da imprensa contribuíram para criar um clima de uma suposta final entre Argentina X Brasil, um tira-teima entre Messi e Neymar. Esqueceram que a Copa América também é disputada pela excelente equipe uruguaia dos craques Forlán e Suárez. Esqueceram que o Paraguai é e sempre será um osso duro de roer. Esqueceram que Copa América é disputada por aqui mesmo e não nos luxuosos estádios europeus que já estão acostumados a jogar.
Por outro lado, discordo da pachecada oportunista que reza a mesma ladainha quando fracassa a seleção brasileira. A equipe de Mano Menezes é aquela que o povo e a imprensa pediram: talento e renovação. É o melhor que temos, sem dúvida. Ontem o Brasil jogou bem. Pressionou, criou oportunidades e finalizou várias vezes. Faltou um pouco de sorte e, principalmente, equilíbrio emocional. Jogamos uma responsabilidade excessiva nas costas de uma garotada que já chegou para protagonizar o novo futebol brasileiro.
A derrota foi positiva e perder a Copa América é um bom sinal.
Cinco observações isentas de conexão
1. Os estrangeiros
Nenhum jogador da seleção uruguaia atua no futebol do país.
2. Argentinização
Das 12 seleções do torneio, cinco delas são treinadas por técnicos argentinos.
3. O cavalo paraguaio
O Paraguai com quatro empates e nenhuma vitória chega à semifinal da Copa América.
4. A Zebra
A Venezuela jamais chegou a uma semifinal de Copa América.
5. Os coadjuvantes
México e Costa Rica vieram com equipes sub-22 e nenhuma dessas seleções caiu no grupo do Brasil.

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