O que pode se esperar de Ronaldinho Gaúcho?

30 de junho de 2011
Ronaldinho

O torcedor flamenguista anda meio desconfiado do futebol de Ronaldinho Gaúcho, alternando aplausos e vaias, momentos de euforia sem freio com momentos de impaciência e frustração.

Mas Ronaldinho nunca foi, em todos os times que passou e também na seleção, o salvador da pátria ou o "cara que chama a responsabilidade". Gaúcho sempre se destacou pelo "futebol moleque" que aos poucos foi se incrementando a objetividade europeia de jogar.

Os três melhores jogos de Ronaldinho no brasileirão foram contra Avaí, Atlético-MG e América. Nesses três jogos, o que não faltou foi espaço para Ronaldinho fazer lançamentos, chutar a gol e até relembrar aquelas poderosas arrancadas pela esquerda em diagonal. Mas não se pode esperar o mesmo de Ronaldinho Gaúcho contra adversários sisudos defensivamente como Botafogo, Grêmio ou São Paulo.

Além disso, o torcedor rubro-negro precisa entender que não se trata do Ronaldinho Gaúcho do início do século. Já na casa dos trinta, o Ronaldinho de hoje não pode ser comparado aos dribles de Neymar ou à agilidade de Lucas. Talvez uma comparação com Petkovic/Paulo Baier seja mais cabível: toque de bola cadenciado e inteligente, lançamentos precisos e bom aproveitamento nas bolas paradas.

Por que Ronaldinho escolheu o Flamengo?

Não quero ser inocente ou romântico ao ponto de dizer que a questão financeira ficou em segundo plano nessa decisão de Ronaldinho, mas outro fator preponderante pesou na decisão: o Rio de Janeiro. Ronaldinho Gaúcho tem suas origens na periferia de Porto Alegre. Periferia é periferia em qualquer lugar, mas no Rio ela não tem apenas o status de classe social. No Rio periferia fica no morro sim, mas de frente pro mar. Periferia no Rio é churrasco, praia, pagode, funk e carnaval. Resta saber até quando isso tem influenciado no rendimento de Ronaldinho dentro das quatro linhas. Deixamos ao psicólogos a explicação dessa estranha relação entre identidade cultural e prazer de jogar futebol.

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