Em meu primeiro artigo aqui no Anarquibancada, pensei em focar mais no futebol que aprecio pela técnica superior ao do resto do mundo: o europeu. Entre tantos clubes da Europa (muitos deles recheados de nomes brasileiros dentro de campo), escolhi pro artigo de início, o FC Barcelona.
Um artigo que explicasse o começo meio e fim do Futbol Club Barcelona exigiria, pelo menos, uns dias de trabalho e pesquisa sem descanso. Daria facilmente um livro, e dos grandes ainda (na verdade, deu um wikibook). Entendam: a tradição, técnica, nome, moral que o time carrega e carregou ao longo da sua história é de um tamanho imenso.
O Barcelona já foi lar de grandes nomes do futebol internacional (entre eles nosso maior ícone, Ronaldo Nazário, o "Fenômeno"), com certeza merece toda a atenção e respeito até mesmo das torcidas rivais (Real Madrid e Athletic Bilbao, as maiores. Quando o Real e o Barça se enfrentam, o evento é chamado por lá de El Clásico). Abriga hoje, o que é o maior jogador do mundo, o argentino Lionel Messi. Listando seus títulos, o mundial de clubes da FIFA, tetracampeão da UEFA Champions League, 21 campeonatos espanhóis, e diversos títulos de menor expressão. Seus torcedores são hoje uma soma de 57,8 milhões de pessoas (a nível de comparação: o Flamengo possui em torno de 35 – 40 milhões de torcedores). O time hoje é apontado não só como o maior do mundo pelos títulos conquistados, mas como o melhor time da história do futebol. Exagero? Henry não acha, jogador que atuou pelo Barça no período de 2007-2010.
Nunca deu aos seus torcedores a tristeza de vê-lo ser rebaixado na série B espanhola. Mantém seu posto absoluto na primeira divisão, o que levando em conta o nível técnico do time comparado com os demais, nem é lá uma grande proeza. Questão de obrigação mesmo talvez, não acham? Mantém o mesmo posto também os grandes rivais do Barça, o Real Madrid e o Athletic Bilbao.
O Barcelona hoje possui uma torcida grandiosa em número e em paixão pelo clube. Os torcedores mantiveram o clube financeiramente por muito tempo, e ainda o fazem, o que assegurava a camisa do Barça limpa, livre de qualquer patrocinador (até 2006). São divididos em 3 grupos: os club-members que podem votar em eleições para presidente do clube (o espanhol Sandro Rosell, natural de Barcelona mesmo, está no cargo atualmente) e em demais questões, tornando assim o papel do torcedor mais, digamos assim, democrático. Além deles, existem os penyes, que são afiliados com os fã-clubes, e no passado foram responsáveis por grandes doações em dinheiro para o clube. Além desses dois grupos, existem também os culers, que por sua vez, não possuem quaisquer ligações formais com o clube. Em outras palavras, são apenas torcedores mesmo.
Existe uma série de regras na organização de cada torcedor, que são religiosamente seguidas pelos mesmos. Por exemplo: depois de novembro de 2010, a associação ao clube não é mais aberta para o público em geral. Só se pode inscrever pra torcedor quem é parente de quem é ou já foi associado ao clube. E mesmo assim, o "padrinho" deve ter no mínimo 2 anos de presença no posto. Essa foi a forma encontrada pelo clube de peneirar torcedores e dar aos mesmos um certo status de estar dentro de uma associação como essa.
O único logotipo estampado na camisa do Barça era o da Unicef. Um clube que se orgulhava em nunca, em toda sua trajetória, ter estampado nenhum patrocinador (como disse antes, o clube era e ainda é bancado pelos próprios torcedores) nas suas camisas, em 2006, quebrou essa regra. Mas por uma causa muito maior: do apoio à Unicef. Na ocasião, toda uma campanha havia sido feita pra promover a nível mundial essa parceria.
Com uma frase de impacto como lema ("O jogo mais difícil do Barça está prestes a começar"), imagens e vídeos como esses circularam mundo afora.
Isso foi uma jogada de mestre, devo dizer. A nível filantrópico sim. Veja bem: a publicidade que o Barça rende mundo afora asseguraria o apoio que o resto do mundo daria à Unicef. E também pro Barça, pois é um motivo de orgulho tremendo pra um torcedor ver que seu time faz bem fora de campo também. O torcedor do Barça nunca esteve tão orgulhoso de seu time.
A partir da temporada 2011/12, o Barça também começará a estampar em sua camiseta o logotipo da Qatar Foundation. Porém, desta vez, as razões são puramente financeiras.
Agora vamos ao que interessa: o time em campo. O elenco titular do Barça hoje é diferenciado por alguns fatores. Em primeiro lugar, o time é em grande parte formado por jogadores do próprio país, a Espanha. São exceções à regra o brasileiro Daniel Alves, o argentino Lionel Messi (o maior goleador da história do clube na liga dos campeões e segundo seu colega de equipe Xavi, o melhor jogador da história).
Devido à qualidade técnica de seus jogadores, muitos deles integram a seleção espanhola de futebol. Conquistaram a Copa do Mundo 2010 na África, trazendo o título para a Espanha pela primeira vez. O goleiro Valdés, titular no Barcelona é o segundo na reserva da seleção. Entre os titulares, Piqué, Puyol, Xavi, Iniesta, Busquets, Villa e Rodríguez, todos do Barça.
Uma marca notável também que merece destaque é o tempo que os jogadores permanecem no clube. Não há uma rotatividade muito grande com certos nomes, ocasiona-se até mesmo de um jogador se manter no clube por muito tempo. Puyol, o atual capitão por exemplo, está no clube desde, pasme, 1999. Tido hoje como um dos melhores zagueiros do mundo, é como uma muralha em campo. Perito em roubar a bola sem ocasionar falta, muito bem treinado e marca de forma surpreendente.
Xavi também é um exemplo notável dessa regra: é o jogador com mais partidas pelo Barça na história do clube: 576 aproximadamente. Atua profissionalmente no time desde 1998, mas antes disso já mostrava o seu futebol nas categorias de base do clube. Esse aí criou raiz mesmo!
O técnico é o espanhol e ex-jogador do próprio Barcelona, Josep Guardiola. Relativamente jovem, de 40 anos apenas, já rendeu com sua experiência ao Barcelona uma série de títulos e vitórias incontáveis.
O post renderia mais uma infinidade de questões e tópicos sobre o time, mas pra finalizar, o Barcelona mostra como deve ser um time de futebol: amor à camisa por cada torcedor que grita o nome no estádio. Torcida que participa das decisões diretivas do clube de forma democrática, tradição, e sempre bom lembrar: participação social. Quebrar uma regra histórica do clube de nunca estampar logotipos na camisa em prol de um bem maior que é a solidariedade internacional, foi por certo um dos maiores títulos do clube de todos os tempos.
Como disse o presidente do clube na época: "Para nós, significa conquistar a Copa dos Campeões na escala social"
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