Entre moicanos e tatuagens, nada de novo

25 de julho de 2011
Jogador do botafogo exibe o moicano

Toda generalização é perigosa, mas às vezes o que reluz é ouro mesmo. E o ouro, em questão, é a identidade boleira do jogador brasileiro que, salvo exceções, vem sofrendo transformações.

Há alguns anos, a trajetória do jogador de futebol era a de um menino nascido no subúrbio de uma grande cidade ou de um longínquo rincão sertanejo do Brasil, de pouco estudo, pele castigada pelo sol tropical, criado por mães "solteiras" e pais semi-ausentes ou por famílias tentaculares chefiadas por avós-heróinas.

Aquele garoto que não deu conta das competências escolares requeridas em Português e/ou Matemática; habilidades que sempre destoaram dos talentos inatos e das capacidades motoras e raciocínio rápido com a cabeça e os pés.

É aquele mesmo piá que cresceu jogando bola na rua. Que mesmo com chuteiras de qualidade inferior, enfrentou uma angustiante "peneira" das categorias de base de um grande clube e, agraciado por uma estrela-bola-cadente – vulgo gol-oportunista –, alcança o tão sonhado mundo do futebol.

Aquele mundinho estelar onde apenas 4% dos jogadores profissionais do Brasil recebem acima de R$ 10 mil mensais e não tem a noção do que fazer com a grana. Jogadores que terceirizam a administração dos bens pessoais a empresários ou parentes de relance.

Atletas que se casam precocemente com belas modelos de cabelos louros e constroem uma extensa prole de filhos pardos. Faz-se, portanto, um pacto com o puritanismo das regras rígidas de treinamentos-concentrações-jogos. Com isso, afasta-se o fantasma da imagem caída de atleta entregue às noitadas, fanfarronices e relacionamentos efêmeros.

Mas, nos dias atuais, a geração Neymar e a moicanização boleirística do futebol criou novos e severos paradigmas com mecanismos de afiliação/exclusão muito mais imagéticos do que antes.

Algumas coisas mudaram. Outras nem tanto. Ser jogador de futebol hoje é começar cedo, muito cedo. É matricular-se numa escolinha de futebol aos 5 anos de idade. É ter o pai como principal entusiasta e investidor. Aquele corujão sovina que deposita no filho todas as esperanças de sucesso financeiro da família.

Contudo, entre moicanos e tatuagens, ser jogador de futebol hoje é não fugir à regra de esconder o que pensa em entrevistas à televisão. Entre rodas de pagode e colares adornados com iniciais garrafais, ser jogador de futebol é conservar a velha malandragem da teatralização "cai-cai" e da cera casuística.

Uma geração de meninos bons de bola, mimados e chatos. A rebeldia limita-se ao visual punk. Imprevisíveis em campo, previsíveis fora dele. A moda sempre pega.

2 comentários :

gui_inter disse...

qual é o nome desse jogador

Marco Abreu disse...

Fábio Ferreira do Botafogo

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