Nossa paixão está mudando

13 de abril de 2012
Barcelona

Os líderes do campeonato disputam, ponto a ponto, o primeiro lugar na tabela. A diferença, que já foi de 10 pontos, caiu para 3 depois da vitória do vice líder em jogo isolado no meio da semana. O título já está praticamente definido e não sairá das mãos de um dos dois líderes, mas a disputa por uma vaga na principal competição internacional do continente está feroz com pelo menos três times lutando por uma vaga. Líder e vice-líder se encontram no fim de semana em jogo que pode decidir o campeonato. A competição está emocionante também na parte inferior da tabela.

Não sei se você percebeu, mas o parágrafo acima não corresponde a nada do que esteja acontecendo no futebol brasileiro até aqui. Mas pode resumir quase fielmente o que se passa nos campeonatos Espanhol, Inglês, Alemão e Italiano.

Enquanto isso, estamos aqui discutindo apenas qual será o emparelhamento nas quartas de final do arrastadíssimo Campeonato Paulista, já que os oito classificados já estão definidos. Ou se o Bangu será o pequeno intruso na semifinal da Taça Rio, já que Flamengo e Botafogo já estão garantidos. Ou ainda o empate entre Atlético Mineiro e Cruzeiro, com os dois times garantidos na fase final do estadual.

Com tanta coisa boa acontecendo lá fora e com tanta coisa sem importância rolando aqui dentro, estamos fazendo exatamente o inverso do que seria normal: ficamos ligados nas emoções dos Europeus, fazendo contas e checando as tabelas gringas, na mesma medida que damos aquela olhadinha desinteressada nos jogos por aqui. Flamengo x Vasco levaram menos de 15 mil pessoas ao estádio.

Passados dois meses de bola rolando por aqui, quais foram os acontecimentos marcantes em competições nacionais? O gol incrível perdido por Deivid, o aparecimento de Barcos no Palmeiras, as jogadas espetaculares de Neymar, a eficiência do Corinthians, a invencibilidade do Galo… será que esqueci algo?

Nossa paixão agora tem que ser sem bandeira, sem gritos pelas ruas, sem camisa do clube e sem graça. Já não se pode ser apaixonado por um clube nesse país e, pelo risco que se corre ao ir a um estádio, a cada dia nos adaptamos mais ao estilo pay per view de torcer. Mas não há problema algum em sair com camisas dos grandes europeus e é o que mais se vê e o que mais se vende por aqui.

Quando o consumidor troca a diversão do futebol por outra é até interessante: mostra que temos opções variadas de lazer. Agora, quando ele troca o nosso futebol por outro futebol, é sinal de que de fato a paixão se esfriou. Melhor a gente repensar no que temos oferecido ao torcedor daquele que já foi o melhor futebol do mundo.

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