O FRACASSO CONTAGIANTE

8 de outubro de 2011

Depois do eixo Rio-São Paulo, Minas Gerais é o estado com maior número de clubes na Série A, três no total. Da última vez que isso aconteceu, em 2008, as coisas não foram fáceis. O Ipatinga FC foi rebaixado em último lugar com apenas 35 pontos; o Atlético-MG brigou para não cair; e o Cruzeiro, por sua vez, deixou escapar o título mais uma vez para o São Paulo.

A situação em 2011 é ainda pior e por uma questão de responsabilidade e compaixão provinciana, fiz questão de assistir aos últimos jogos de Atlético-MG e Cruzeiro. Notei uma reação curiosa por partes de jogadores e torcedores, mesmo com o resultado de empate em ambas as partidas disputadas na Arena do Jacaré.

No domingo, vi Atlético-MG 1x1 Ceará: empate com sabor de derrota. As circunstâncias eram subitamente favoráveis a vitória atleticana que não veio graças à incompetência de seus atacantes e à atuação heróica do goleiro Fernando Henrique (Ceará).

Na quarta-feira à noite presenciei mais um fracasso mineiro no brasileirão, Cruzeiro 3x3 São Paulo: empate com sabor de vitória. Curiosamente, a satisfação cruzeirense era evidente, mesmo com o empate em casa. O jogo era contra o poderoso São Paulo de Luís Fabiano – que por sinal errou um pênalti. O clube paulista esteve à frente no placar duas vezes e cedeu o empate em lances de bola parada. Bom demais para quem estava se acostumando à freguesia.

Fonte: Globoesporte.com

Não é de hoje que os clubes mineiros vêm descendo a ladeira-pão-de-queijo. O bom mineiro aparece devagar "comendo pelas beiradas", mas o seu desaparecimento também é sutil e quase imperceptível.

O último título importante do Atlético-MG foi em 1997 quando conquistou a extinta Copa Conmebol – uma espécie de sulamericana 90's. Desde então o clube amarga a fila de espera de 13 anos sem títulos importantes e contentando-se com apenas 4 títulos estaduais (1999, 2000, 2007 e 2010) e algumas parcas vitórias em clássicos contra o rival.

O Cruzeiro, por sua vez, teve em 2003 o seu último ano de glória quando conquistou a tríplice coroa – estadual, Copa do Brasil e Brasileirão. Em 2011, o clube completa 8 anos sem títulos importantes. A torcida, que até o início ano vivia esperançosa pelas boas e bem intencionadas campanhas na Taça Libertadores da América, hoje comemora empate em casa e faz prece para livrar o time do rebaixamento.

Como bem disse Sêneca, ruína e fracasso nunca é obra imprevista do acaso. Porém, uma sucessão de malfadados atos de ingerência clubística explicam o fato. Como bem destacou o jornalista Telmo Zanini, a falta de estádio em Belo Horizonte obriga os clubes a se deslocarem 150km para jogar em Sete Lagoas. Além disso, a instabilidade constante, a troca de treinadores e a demissão de jogadores importantes no meio da temporada fez desmoronar a confiança do torcedor. No caso do Cruzeiro, foi realizado um verdadeiro desmanche. Sem Jonathan, Henrique, Thiago Ribeiro, Gil e Dudu e com reforços de qualidade duvidosa, o Cruzeiro pode figurar como postulante ao rebaixamento nas próximas rodadas.

Fonte: Globoesporte.com

A dinastia Perrela, enfim, deixa o clube e se envereda no mundo da política partidária (para o azar de todos). Ademais, a sucessão de Gilvan de Pinho parece conservar as mesmas práticas: contratações de médio e baixo valor e apostas em surpresas e promessas para o futuro. Enquanto o eixo Rio-São Paulo trouxe Ronaldinho Gaúcho, Luís Fabiano, Liedson e outros craques consagrados, a diretoria estrelada tenta saltar no escuro novamente.

O fracasso mineiro é contagiante. O rebaixamento atleticano em 2005 não logrou em reação como se esperava. A arrancada do Coelho da série C para série A não vingou. Até mesmo o Ipatinga FC que figurou na elite do futebol em 2008, colecionou derrotas e rebaixamentos nos anos seguintes. A apatia cruzeirense é torpe. Torcedores, diretoria e até técnicos de futebol têm, nos últimos anos, comemorado as desgraças alheias e esquecido o momento diminuto do clube no cenário nacional/internacional. O problema do Cruzeiro é o Atlético-MG, é o América, é o Ipatinga... Parâmetros ruins para um time que já foi grande.

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